Notícias

Quarta-feira, 17 de Outubro de 2012

Análise da música: "Garota de Ipanema"

Garota de Ipanema

Tom Jobim e Vinícius de Moraes

Olha que coisa mais linda
Mais cheia de graça
É ela menina
Que vem e que passa
No doce balanço, a caminho do mar.

Moça do corpo dourado
Do sol de Ipanema
O teu balançado é mais que um poema
É a coisa mais linda que eu já vi passar.

Ah, por que estou tão sozinho?
Ah, por que tudo é tão triste?
Ah, a beleza que existe
A beleza que não é só minha
Que também passa sozinha.

Ah, se ela soubesse
Que quando ela passa
O mundo sorrindo se enche de graça
E fica mais lindo
Por causa do amor.

Ah, por que estou tão sozinho?
Ah, por que tudo é tão triste?
Ah, a beleza que existe
A beleza que não é só minha
Que também passa sozinha.

Ah, se ela soubesse
Que quando ela passa
O mundo inteirinho se enche de graça
E fica mais lindo
Por causa do amor.

Análise:

Na música: “Garota de Ipanema”, a valorização da mulher encontra-se explícita, pois para descrevê-la, o autor a dota de qualidades, utilizando adjetivos que a enaltecem. Parece haver uma intenção do compositor em destacar a beleza feminina brasileira, em conferir-lhe certo exagero, visto que ele não apenas diz que ela é bonita, mas sim que ela é linda, e não apenas linda, mas a coisa mais linda que ele já viu passar! E mais cheia de graça! 

Aliada a esta tradição cultural de se expor valores nacionais, está a exibição de belos lugares do Brasil, que no caso do corpus analisado é a praia de Ipanema, posto que, apesar de não descrita na letra da canção, tornou-se conhecida em vários lugares através dessa música, por causa da garota de Ipanema. Ao compor a letra, Vinicius de Moraes inspirou-se, de fato, em uma garota que passava por Ipanema, dessa forma, o autor consequentemente divulgou Ipanema por toda parte, já que, composta há 50 anos (completados em agosto de 2012), a música fora regravada também em outros idiomas.

Para ilustrar esta mescla que o autor fez de divulgar dois valores brasileiros (mulher e espaços físicos, naturais), cito dois versos da música que representam tal interpretação, nos quais o autor diz:

 

Ah, a beleza que existe.

A beleza que não é só minha [...] (3º e 4º versos da 3ª estrofe).

 

Talvez o autor tivesse composto estes versos para dizer que a beleza brasileira existe, e que não é só dele (do autor), mas que deve ser divulgada, partilhada, como de fato o foi através da música. Tal proposição é confirmada pelos primeiros versos da última estrofe, que dizem:

 

Ah, se ela soubesse

Que quando ela passa

O mundo inteirinho se enche de graça [...].

 

“O mundo inteirinho se enche de graça”, esse 3º verso em especial apenas representa a proporção que o compositor quer alcançar, e que de fato alcança, visto que, com a divulgação da música, o mundo “se enche de graça” e passa a conhecer e a cantar a garota de Ipanema, idealizando, por conseguinte, a mulher brasileira e a praia de Ipanema. Neste ínterim, saliento que os primeiros versos da segunda estrofe, que dizem:

 

Moça do corpo dourado
Do sol de Ipanema [...]

 

Concedem à mulher brasileira uma característica própria, pois a garota de Ipanema é “moça do corpo dourado”, o que quer dizer que é uma mulher bronzeada, e bronzeada pelo “sol de Ipanema”, ou seja, não é qualquer sol, não é um sol que se põe em qualquer lugar, mas é o sol de Ipanema! Importante lembrar também que no final da primeira estrofe o autor afirma que a moça está “a caminho do mar”. Todas essas informações conferem ao Brasil uma caracterização implícita, pois o revela como um país litorâneo. Dessa forma, a música é um veículo de propagação de valores culturais e regionais.

por: Lorena Ribeiro Damasceno - Estudante de Letras da Faculdade Saberes - Equipe Sindinotícias.

Foto: meramente ilustrativa/ Internet

Tags: